quarta-feira, 11 de março de 2015

Música e literatura no período de adaptação do berçário. Trabalho realizado em 2014.

Um grande desafio na Educação Infantil, em especial, no Berçário I é o período de adaptação. Para tornar essa fase mais fácil e prazerosa para os bebês, podem ser empregadas a música e literatura. Entendendo a música como linguagem e forma de aprendizagem e partindo das observações dos alunos da turma em adaptação, percebi o desconforto dos bebês em seu primeiro contato com o espaço escolar e como eles se acalmavam com a música. Os bebes ao escutarem a canção Dona Aranha ficavam encantados, observando e realizando tentativas de acompanhar os gestos representados na música. Com o tempo, usei a música como estratégia para acalmar a turminha em momentos de extrema agitação. Ao oferecer atividades que exercitam os sentidos, possibilito um desenvolvimento amplo e prazeroso em que os bebês podem ampliam a capacidade de explorar texturas, sabores, cheiros e cores de diferentes formas. Em um contexto de que a educação se dá de forma reflexiva e crítica, na formação de sujeitos conscientes e participantes de sua realidade histórico-social e acreditando que devemos estimular o desenvolvimento integral do aluno através da multidisciplinaridade, procurei trazer livros nos momentos das rodas cantadas, unindo, assim, música e leitura. Com este trabalho ofereço ao Berçário 1 a possibilidade de um cenário rico para formação de bons leitores. Assim, nossas crianças são levadas a constituírem desde a primeira infância a identidade de um sujeito leitor. Nesse cenário, encontrei a fascinação dos bebês para com os livros e a sua diversidade. Entretanto, isso pode representar um desafio: a dificuldade ao selecionar livros com conteúdo adequado para essa faixa etária. Por isso, fora necessário criar materiais para que essa prática se desenvolvesse de forma lúdica e significativa. "A música está presente em diversas situações da vida humana. Existe música para adormecer , música para dançar, para chorar os mortos , para conclamar o povo a lutar, o que remonta sua função ritualística. Presente na vida diária de alguns povos, ainda hoje é tocada e dançada por todos, seguindo costumes que respeitam as festividades e os momentos próprio de cada manifestação musical .Nesses contextos, as crianças entram em contato com a cultura musical desde muito cedo e assim começam aprender suas tradições musicais." http://portal.mec.gov.br/seb/arqivos/pdf/volumes3.pdf Vendo o espaço sala de aula como um ambiente integral de aprendizagem, procurei organizá-la e ambientá-la de acordo com a música ou história escolhida para a interação com os bebês. Tendo em mãos o livro com a música preferida dos pequenos, iniciei o trabalho. Ao apresentar a proposta de trabalho para as famílias, houve uma grande interação e sintonia. Uma das mães confeccionou uma aranha que serviu de mascote do projeto. Esse personagem visitava semanalmente a casa de cada bebe da turma Para acompanhá-lo, produzimos um livro de registro em que os familiares podiam fazer o mesmo junto com uma sacola seguiam os livros: Tecendo amor, da autora "Márcia Honora" e o clássico D. Aranha além de outros materiais de leitura destinados as famílias. Na sala de aula, foi criado um cantinho especial para a nossa mascote que quando não estava passeando estava sendo explorada pelos pequenos. Na sua “horinha” de descanso, a mascote ficava em sua teia em sua casinha. Dessa forma, eles compartilhavam mais um momento em conjunto e entendiam a necessidade do período de descanso em suas rotinas diárias. Na história “Tecendo amor”, os pais puderam compreender melhor a fase de adaptação de seus filhos na escola. Surgiram muitas conversas em relação ao assunto. Mesmo não sendo esse o objetivo principal do nosso trabalho, isso foi expressivamente positivo, deixando os familiares ainda mais tranquilos em relação a escola. Nesse sentido, também se destaca a Casa dos Três Porquinhos. Organizada em quatro etapas e confeccionada em papelão, ilustrava o cenário da história dos “Três Porquinhos”. Em torno da casinha, os bebês interagiam com ela seguindo a música (sobre o enredo). A Casa dos Três Porquinhos se apresentava aos alunos também como painéis e livro. Em adição, havia um vídeo. Para os bebês, isso ampliava os estímulos e compreensão. Essa atividade causou curiosidade e interesse das outras turmas. Então, convidamos a turma de Berçário II para entrar “no mundo do faz de conta dos Três Porquinhos” proporcionando trocas e integração ricas de aprendizagens. Também nessa atividade foi trabalhada a história em si através de materiais diferenciados como fantoches, painéis e, sempre, com presença do livro. Além disso, houve com visitas a biblioteca para os bebes explorarem livros, inclusive alguns com sons para a sala. Nessa experiência contamos com a colaboração do coral Os Vivinhos. Eles trouxeram instrumentos musicais que encantaram e enriqueceram nossas aprendizagens com novas linguagens. Nas atividades realizadas, a música foi uma constante com poder de transformação. A literatura também foi uma dimensão que ampliou as aprendizagens. Ambas, a música e a literatura, tanto tornaram o período de adaptação mais agradável e rico, quanto maximizaram minha formação enquanto educadora. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS PARREIRAS, Ninfsa. Do ventre ao colo do Som à Literatura. Belo Horizonte. 2012 ZOGONEL, Bernardete. Brincando com música na sala de aula de aula:Jogos criação musical a voz do corpo e o movimento. São Paulo: Saraiva. 2012 DE BRITO, Teca Alencar. São Paulo: Peiropolis. 2003 GASBARRO, Ana Lúcia Marques, Estrutura e organização da Escola Infantil. São Paulo: Sol,2011 SILVA, Lisienne de Morais Navarro. Pedagogia Interdisciplinar, São Paulo: Sol 2012 HONORA, Márcia. Tecendo saberes. Ilustração e diagramação indexart &Studio. São Paulo: Ciranda Cultural. 2009 Adaptação a Dona Aranha, tradução MARSCHALEK, Ruth. Direito adquirido da edição em Língua Portuguesa

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